quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Você precisa parar de pensar nisso...

Ela desceu do ônibus com a sensação de que algo a perseguia, fez todo o caminho sem olhar para trás. Respirava fundo e tentava se acalmar: “Não deve ser nada, não é nada”, pensava. Andava cada vez mais rápido, chegou até a perder o folego, só se acalmou quando finalmente viu um rosto familiar, seu irmão abriu a porta da frente da casa. - Está tudo bem? - S-sim, agora parece que tudo passou. Seu irmão sem entender nada, deu passagem para ela entrar. - Você tem aula amanhã, suba para arrumar suas coisas. - Tudo bem. Subiu as escadas, carregando sua mochila e uns livros, andando pelo corredor a sensação de que alguém a perseguia voltou, tentou não olhar pra trás e entrou no quarto fechando a porta. Jogou os materiais no chão e foi ao banheiro, lavou o rosto uma, duas, três vezes até finalmente se acalmar um pouco, de olhos fechados pegou a toalha e enxugou o rosto. Ao olhar no espelho, uma estranha e deformada figura a observava, correu para o quarto e se jogou na cama. Se escondeu embaixo das cobertas e fechou os olhos, tentou não pensar em nada, tentou se acalmar. Um estrondo e a janela se abriu, ventava muito e tudo o que ela ouvia era um barulho, uma risada sinistra e muito fina, parecia rir dela. Continuou de olhos fechados, gritava para que o irmão a ajudasse, chorava, gritava mas parecia que não saia nenhum som da sua boca. Tentava gritar cada vez mais alto, mas de novo ninguém a ouvia, após o que pareceram horas gritando ouviu o som do irmão subindo as escadas. - Eu já vou, você precisa se acalmar. - Por favor, me ajuda – chorava e gritava quase sem voz. Quando o irmão encostou na fechadura da porta, tudo se fez silencio. Acordou assustada. Tinha sido apenas mais um sonho, iguais aqueles da infância e finalmente havia acabado.